GLOSSÁRIO 

 

Análise do caráter: a partir da compreensão do caráter, Reich desenvolveu um procedimento técnico com o objetivo de reduzir os aspectos não saudáveis no indivíduo, analisando suas defesas (resistências). Esse procedimento ficou conhecido como análise do caráter e consiste em perceber e compreender a forma de comportamento do indivíduo, tornando consciente os aspectos defensivos que geram sofrimento e fazem com que a pessoa reaja inadequadamente.

Reich diz que “análise do caráter é a modalidade técnica de analisar os sintomas, que recorre à inclusão do caráter e da resistência de caráter dentro do processo terapêutico”.

 

Caráter: maneira pela qual a pessoa se apresenta e se comporta em suas relações; conjunto de características; atitude psíquica particular em direção ao mundo externo, específica a um dado indivíduo; determinado pela disposição e pela experiência de vida, assim, podemos considerar tipos de caráteres onde se apresentam comportamentos mais ou menos ajustados à realidade e ao contexto social.

Para Reich, caráter seria a dimensão total das atitudes e ações individuais em relação ao mundo, conduta biofísica específica. Sua formação estaria ligada a diversos fatores, entre os quais os processos de identificação com as figuras parentais, o desenvolvimento psicossexual, a relação entre ideal de ego e ego e a receptividade do prazer em relação às restrições e identificações. A variação desses fatores, devido ao contexto social, cultural e sexual, a disposição herdada pelo indivíduo e as defesas que se formam durante a vida, poderia aproximar ou afastar o caráter da neurose.

 

Código de Ética do Psicólogo: normas de conduta que regulam a atividade do psicólogo. Acesse aqui

 

Contato: processo psíquico e/ou comportamental pelo qual o indivíduo entra em relação consigo, com o outro e com o mundo. Implica em estar aberto às relações para que se perceba o ritmo da vida. Contato é ampliar a fronteira além daquilo que conhecemos, criar movimento interno em direção ao externo e vice-versa, abertura em direção ao novo, autoconhecimento e consciência de si, do outro, da natureza e do universo. Contato é possibilitar a descoberta e a comunicação. (saiba mais em Afinal, o que é contato?)

 

Couraça: tensões ou bloqueios que se formam no corpo ao longo da vida. Sua função é proteger o indivíduo de experiências dolorosas e ameaçadoras. A couraça crônica faz com que o organismo esteja sempre em estado de alerta, se defendendo de situações que nem sempre são reais ou ameaçadoras. A couraça não é só muscular, ela pode ativar defesas psíquicas e reações viscerais (veja Vegetoterapia). Couraças são emoções “congeladas” que podem obstruir o fluxo de energia nos sete segmentos observados por Reich: ocular, oral, cervical, torácico, diafragmático, abdominal e pélvico. Restabelecer o fluxo energético é função da Psicoterapia Corporal Reichiana

 

CRP: Conselho Regional de Psicologia. Acesse o Site

 

Democracia do Trabalho: a democracia do trabalho não é um sistema ideológico ou político, que pode ser imposto à sociedade humana pela propaganda de um partido, de um político isolado ou de grupos ligados por uma ideologia comum. A democracia natural do trabalho é o conjunto de todas as funções da vida, regidas pelas relações interpessoais racionais que surgiram, cresceram e se desenvolveram de modo natural e orgânico. Pela primeira vez na história da sociologia, se apresenta uma possibilidade de regulação futura da sociedade, derivada não de ideologias ou condições a serem criadas, mas sim de processos naturais que estão presentes e têm-se desenvolvido desde o início. A "política" da democracia do trabalho caracteriza-se pela rejeição de toda e qualquer política ou damagogia. Esta democracia se origina a partir das seguintes funções: amor, trabalho e conhecimento. Ela se desenvolve organicamente. Combate o misticismo e a ideia do Estado totalitário, não através de atitudes políticas, mas por meio de funções vitais práticas.   (Texto: Psicologia de Massas do Fascismo)

 

Economia Sexual: modo de regulação da energia biológica. É o modo como o indivíduo investe sua energia biológica - que quantidade reserva e que quantidade descarrega de forma saudável. Os fatores que influenciam essa regulação são de natureza sociológica, psicológica e biológica. Chama-se Economia Sexual mas não se limita somente a sexualidade. Trata-se da capacidade do indivíduo administrar a energia biológica e utilizá-la em todas as áreas da vida: sexo, família, estudos, trabalho, artes, cooperação com outros indivíduos etc. (Texto Psicologia de Massas do Fascismo)

A função econômica, na abordagem reichiana, é a busca por um equilíbrio entre carga e descarga da energia biológica.

Função do Orgasmo: A energia sexual é gerada no corpo e necessita liberar-se através da convulsão orgástica que envolve todo o organismo. Se esta liberação natural fica inibida, se produz um represamento (estase) dessa energia, que dá origem a todo tipo de mecanismos neuróticos. A fonte de energia da neurose é a energia sexual reprimida (não descarregada). A liberação dessa energia bloqueada, através do restabelecimento da função do orgasmo é uma das metas terapêuticas dentro da abordagem reichiana, já que desta forma se restabeleceria o fluxo natural da bioenergia e consequentemente se eliminaria a neurose. 

Desse modo, a função do orgasmo é descarregar um quantum de bioenergia do organismo em intervalos mais ou menos regulares, é equilibrar essa bioenergia. Para entender esse processo, Reich criou a Fórmula do orgasmo - tensão mecânica, carga bioenergética, descarga bioenergética e relaxamento mecânico. Essa fórmula poderia ser chamada também de fórmula da vida, pois explica o processo de carga e descarga da energia biológica.

 

Peste Emocional: termo criado por Reich que indica uma "praga" que faria o indivíduo agir de maneira irracional, tentando impor aos outros a sua maneira de viver. Se desenvolve sempre, como parte de sua estrutura, uma inveja acompanhada de um ódio mortal a tudo o que é saudável. Este indivíduo tentará, em todas as circunstâncias e com todos os meios ao seu alcance, modificar o ambiente para que a sua maneira de viver e a sua maneira de ver as coisas não sejam postas em perigo. O ponto mais importante a se observar, no entanto, é quanto à sexualidade do caráter do indivíduo com peste emocional que, em geral, é sádica e pornográfica. É caracterizada pela existência paralela de lascívia sexual e moralismo sádico. Este é o âmago da estrutura de caráter da pessoa atacada pela miséria emocional. Esta estrutura desenvolve ódio amargo, contra todos os processos que provoquem a sua própria angústia de orgasmo e uma posição especialmente severa contra a sexualidade natural das crianças e adolescentes, ao passo que não percebem as formas da sexualidade perversa. Reich diz que "uma das características fundamentais da peste emocional na vida social consiste em escapar das dificuldades da responsabilidade, no dia a dia e no trabalho, procurando refúgio na ideologia, na ilusão, no misticismo, na brutalidade ou num partido político". (Texto: Psicologia de Massas do Fascismo)

Potência Orgástica: capacidade para entregar-se ao fluxo da energia biológica sem inibições ou medos, capacidade para a descarga completa de toda a excitação sexual reprimida, através de contrações involuntárias do corpo. Nesse sentido, a potência orgástica não está relacionada com potência erétil ou gozo, mas sim a capacidade de entrega amorosa. Orgasmo pleno é sinônimo de amar plenamente. Entendo que essa potência possa se expandir para além do sexo e possa influenciar áreas como trabalho, lazer, família, política, esportes e relações em geral.

 

Símbolo PSI        : psi é como se chama a vigésima terceira letra do alfabeto grego. Na mitologia é o símbolo da divindade do mar, Poseidon (Netuno). Na etimologia, o termo psicologia corresponde a união das palavras gregas “psiche”, que quer dizer alma, “sopro” (o sopro de vida ou o sopro da alma), e “logos” que significa estudo. Assim, psicologia significa o “estudo da alma” e, por este motivo, é representada pela letra psi Ψ . 

 

Vegetoterapia: a partir do trabalho da análise do caráter, Reich descobriu que os distúrbios emocionais estão associados às disfunções biológicas e formam uma unidade funcional em constante interação. Às disfunções corporais ou musculares, Reich deu o nome de couraça. Essa couraça pode agir no nível muscular, psíquico e no sistema nervoso vegetativo.

O sistema nervoso vegetativo ou sistema nervoso autônomo, corresponde ao sistema nervoso simpático (contração, aceleração, angústia, estresse) e parassimpático (expansão, relaxamento, prazer, alegria). Esses dois sistemas controlam funções como respiração, circulação do sangue, temperatura do corpo, digestão, pressão arterial, excreção, respostas reflexas, musculatura lisa e movimentos peristálticos (dos órgãos). Ou seja, perceber o corpo e suas sensações, nos ajudaria a deixar nossas couraças menos rígidas facilitando o funcionamento do organismo e a saúde.

E o que isso tem a ver com o psiquismo?

Reich nos explica que “a neurose não é somente a expressão de uma perturbação do equilíbrio psíquico..., é também a expressão de uma perturbação crônica do equilíbrio vegetativo e da motilidade natural.”

“... a estrutura psíquica é ao mesmo tempo biofísica (ou psicofísica) que representa um estado específico indicativo da interação das forças vegetativas de uma pessoa.” (A função do Orgasmo, pag. 255)

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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